terça-feira, 24 de abril de 2012

Só quero...

Que as forças que me acompanham continuem a me seguir por onde quer que eu tenha que ir.

Que em tempo algum eu me esqueça da Presença que está em mim, bem como em todos os seres.

Que eu confie e acredite que estar só é uma utopia.

Que a vida me devolva, em dobro, tudo o que eu aqui plantar.

Que eu consiga transformar meus medos em descobertas, minha tristeza em festa e meu andar cansado em passos de dança.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Dois ou um...

"Há milênios fui pelo Senhor criada, no começo de tudo, como Seu primeiro ato criador, antes mesmo da Terra, quando não existia o abismo profundo, nem fontes de água, montanhas, colinas ou campos. Quando Ele estabeleceu os céus Eu estava lá, também quando traçou um círculo na superfície do abismo e firmou a abóbada celeste, quando delimitou as margens dos mares e a fundação da Terra. Eu estava sempre ao seu lado como uma Mestra criadora e parceira, sendo o seu deleite e me alegrando ao lado dele no mundo habitado..."



(Provérbios, 8:22-31)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Resoluções

Descansar. Fazer as unhas com mais frequência. Me perdoar. Tomar chuva. Comer menos doces (ou encarar de vez as crises hipoglicêmicas). Enfrentar as perdas. Terminar de assistir aos filmes e seriados da minha lista. Não esquecer o filtro solar.  Esquecer o que ficou pra trás. Correr atrás do que ainda dá tempo de correr. Prestar mais atenção no que minha mãe diz. Duvidar menos. Escrever mais. Ouvir mais. Falar menos. Caminhar mais. Me aceitar. Conhecer um lugar novo. Continuar agradecendo por cada dia. Passar algum tempo sozinha. Doar o que não preciso. Me doar. Fazer algo realmente importante e do qual eu consiga me orgulhar. Terminar de arrumar meu quarto. Continuar amando. Perder alguns quilinhos. Perder o medo. Criar forças. Descobrir novos sabores. Rir mais. Agradecer mais. Viver mais.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Não sei


"Não sei... se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas." (Cora Coralina)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Dando nomes aos bois

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa


era a imagem de um vidro mole que fazia uma curva atrás da casa.

Passou um homem e disse:

Essa volta que o rio faz por trás da sua casa se chama enseada.

Não era mais a imagem de uma cobra de vidro

que fazia uma volta atrás da casa.

Era uma enseada.

Acho que o nome empobreceu a imagem.


(Manoel de Barros)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Ausência

"Por muito tempo achei que ausência é falta.


E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém rouba mais de mim."
 
("O corpo" de Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sabe cair?



- Em outras palavras, você sabe montar coisa nenhuma. Isso é ponto contra. Tenho de ensinar-lhe pelo caminho. Já que não sabe montar, pelo menos sabe cair?
- Bem, todo mundo sabe cair...
- Estou dizendo o seguinte: sabe cair e montar de novo, sem chorar, e cair de novo e montar de novo sem ficar com medo de voltar a cair?
- Posso tentar... - respondeu Shasta.
- Coitado do Bichinho! - falou o cavalo num tom mais bondoso - Esqueci que você é ainda um potro. Vamos fazer de você um excelente cavaleiro (...)

("O cavalo e seu menino" in: "As crônicas de Nárnia", pág. 197, C.S. Lewis)

** A Papisa está em tempos de Trabalho de Conclusão de Curso, sem tempo para escrever algo que não seja científico. Me dói! **

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Presente


Hoje o "Tear" recebeu um presente. O primeiro, na verdade. A linda Luciana Onofre do Germinando nos presenteou com o selo "Blog de Ouro".



"O Tear da Papisa" fez um ano (e o aniversário passou batido...) e a cada dia me surpreendo mais com as formas que vem tomando.



Luciana, muito obrigada pelo carinho com esse espaço tão meu, mas escrito pra pessoas tão especiais como você.



E o meu carinho aos atuais 18 seguidores que adornam esse espaço com seus comentários!



Muito obrigada a todos!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Um pequeno fato

(Imagem: Lusalivros)

Primeiro as cores,

    Depois os humanos,
    Em geral, é assim que vejo as coisas.
    Ou, pelo menos, é o que tento.



EIS UM PEQUENO FATO:
Você vai morrer.

(...)

REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO:
Isso preocupa você?
Insisto - não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.

('Morte e Chocolate' em "A menina que roubava livros" de Markus Zusak - pág. 9)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Eu por ele


Meu pequeno herói está fotografando. Hoje, em meio aos seus retratos, resolveu me fotografar.
Essa semana notei que ele aprendeu a me tocar. Encosta em mim e diz que tenho um cheiro bom. Faz carinho em meus cabelos e quando indagado quanto ao motivo de tal gesto diz: "Ela riu. E eu gostei."
Simplicidade tem nome: Léo.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sede


“Sob cada olhar uma alma. Como encontrar o caminho que me leva até eles? Será que serei capaz de lhes dar sede? (...) E depois? Será que serei capaz de saciar essa sede?”

(Celestin Freinet)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sinônimos


"Só aprendemos nos divertindo. A arte de ensinar não é outra senão a arte de despertar a curiosidade das almas jovens para depois satisfazê-la; a curiosidade é viva apenas nas almas felizes. O conhecimento que se faz entrar na mente pela força sufoca-a. Para digerir o saber é necessário que seja devorado com apetite."

(Anatole France, escritor francês)

Inveja

"Uma minhoca viu uma serpente que dormia à sombra de uma figueira. Com inveja do seu tamanho, quis igualar-se a ela. Esticou-se tanto que terminou se despedaçando."

(Esopo. Fábulas. Porto Alegre. L e PM, 1997. Pág. 131)

terça-feira, 2 de março de 2010

Perdão

Eu o observava, curiosa, beijando a mão direita e a acariciando, quando, no alto de sua simplicidade, ele me olha e diz:

" Estou me perdoando porque mordi a minha mão quando estava muito irritado."

Fiquei sem saber o que dizer. Preferi não dizer nada e passei o dia tentando digerir: "estou me perdoando..."

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Covarde

(Arquivo Pessoal)

Primeiro a descrença. Ou seria a fé, a certeza de tudo?
Depois, vieram as necessidades: deixar tudo pago, tentar deixar tudo o que precisava ser feito por escrito e arrumar alguém para substituí-la no trabalho.

Pensou na carta. O que dizer? Era mesmo necessário escrever alguma coisa? Não pareceria muito clichê? Óbvio demais?

Agora, era a vez do método. Foi aí que ela desistiu e mais uma vez provou para si mesma o que a motivara: era covarde demais.

Desistiu. Não porque se sentiu melhor e havia encontrado uma maneira de resolver as coisas. Pelo contrário, seu desejo só havia aumentado.

Desistiu porque não era capaz.

"Incapaz, covarde!", repetia ela em frente ao espelho.

O tempo passaria e ela se conformaria.

Pensou no seu desejo de ser mãe e decidira que não teria filhos. Já os amava e desejava tanto que decidira poupá-los do mundo e principalmente de si mesma.
Covarde!

Sobre a loucura

(Imagem: Grafitti de Bansky)

"Um poderoso feiticeiro, querendo destruir um reino, colocou uma poção mágica no poço onde todos os seus habitantes bebiam. Quem tomasse aquela água, ficaria louco.

Na manhã seguinte, a população inteira bebeu, e todos enlouqueceram, menos o rei - que tinha um poço só para si e sua família, onde o feiticeiro não conseguira entrar. Preocupado, ele tentou controlar a população, baixando uma série de medidas de segurança e saúde pública. Mas os policiais e inspetores haviam bebido a água envenenada, e acharam um absurdo as decisões do rei, resolvendo não respeitá-las de jeito nenhum.

Quando os habitantes daquele reino tomaram conhecimento dos decretos, ficaram convencidos de que o soberano enlouquecera, e agora estava escrevendo coisas sem sentido. Aos gritos, foram até o castelo e exigiram que renunciasse.

Desesperado, o rei prontificou-se a deixar o trono, mas a rainha o impediu, dizendo: Vamos agora até a fonte, e beberemos também. Assim, ficaremos iguais a eles.

E assim foi feito: o rei e a rainha beberam a água da loucura, e começaram imediatamente a dizer coisas sem sentido. Na mesma hora, os seus súditos se arrependeram: agora que o rei estava mostrando tanta sabedoria, por que não deixá-lo governando o país?

O país continuou em calma, embora seus habitantes se comportassem de maneira muito diferente de seus vizinhos. E o rei pôde governar até o final dos seus dias."

("Veronika decide morrer" - Paulo Coelho, sim, eu experimentei e gostei. Paro de criticar, então.)

(es)tudo errado

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Morte





(Foto: Arquivo Pessoal - Cemitério dos Americanos, Santa Bárbara D'Oeste - SP)

Beleza

Gratidão

Reconhecimento

Identidade
Perda

Palavras distintas mas que convivem e se complementam, em harmonia, num só lugar.

Que há de errado com a morte?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Resolução

Se é pra viver, que seja tudo.
Se é pra querer, que seja mais.
Se é pra dizer, que eu grite.
E se é pra ser, que seja inteiro.

E só.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Léo

Todos os dias ele chega atrasado. Faz parte de sua rotina. Digo-lhe bom dia e ele responde com um sonoro: "Bom dia, Vanessa!". E sem que eu lhe pergunte, mas apenas lhe dirija o olhar, ele diz, com seu jeito único: "Estou bem. Está tudo bem!". Não existem dias ruins pra ele. Todo dia é bom dia. E juntos partimos para mais um dia que nunca é igual. Apesar da rotina, rígida, a que ele mesmo se submete, todo dia é muito diferente: uma descoberta nova, um gosto novo, uma poesia em frases simples. Todos os dias subimos juntos as escadas para mais um dia de missões nada secretas, batalhas reais e imaginárias, superpoderes e superação (minhas e dele).
Minha voz, pra ele, tem gosto de sonho de valsa (segundo suas próprias palavras), assim como as do Superman e do Wolverine.
A vida ao lado dele é única. Encontrá-lo foi um presente, sem dúvida. Sim, porque ao meu ver, fui eu quem o encontrei, não os pais dele. Era eu quem precisava do seu jeito fácil de ver a vida.
Léo é contradição. É sorriso raro e fácil, sem motivo que o  justifique.
Com um ano e sete meses de idade já brincava com as letras. Hoje é rotulado como "especial".
Esse ano termina o Ensino Fundamental mas, assim como eu, não expressa bem seus sentimentos se não forem escritos, colocados no papel. No papel pede silêncio aos colegas de sala, convida para ir ao cinema, revela seus desejos e sentimentos mais intimos e pede socorro. No meio da aula, "liga" para seus amigos superheróis e avisa que está doente e não poderá encontrá-los. Depois me confessa, tristonho, que queria ter sido criado por superheróis e, sorrindo, diz que adora sonho de valsa (teria isso relação com o sabor da minha voz?).
Outro dia, me pediu, em papel amassado: "Seja minha amiga. Seja minha heroína".
Ah, meu amigo Léo, meu herói de todos os dias é você!

*Léo é, há algumas semanas, meu amigo, companheiro de todas as manhãs, estudante (um dos melhores alunos de sua turma), amante dos animais, tem uma memória inigualável, escreve, desenha, cria e conta as mais loucas e belas histórias, cujo personagem principal é ele mesmo sob o codinome "Lanterna Azul". Ser portador da Síndrome de Asperger (um tipo raro de Autismo) é apenas um detalhe.